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MANHÃ
Acordei com o barulho do pirex se estilhaçando no chão e ela, bem humorada, disse: “acordei você, meu Deus. Eu sou mesmo uma desastrada!” e riu.
O sol, a se espreguiçar, lentamente invadia a sala por dentre as vidraças coloridas das janelas.
Pelo ruído vagaroso que vinha lá de fora, pude imaginar que o mar estava bem daquele jeito que mais parece cochilo em cadeira de balanço.
“Deus ajuda quem cedo madruga” e eu, que nunca dei ouvido a certos ditados, me senti feliz pelo pirex, pela gargalhadinha engraçada dela e por ainda estar em tempo...
Tomou o último gole de café, colocou seus óculos escuros de armação cor de carmim, cheirou um hibisco rosa e arrumou a velha cadela na cestinha da bicicleta. Acenou do portão com um “ah, minha neta, não é uma maravilha morar em frente ao mar?!” e foi-se pedalando devagar até fundir-se à paisagem como num filme italiano.
Por toda a manhã, seus cabelos grisalhos de pontas acobreadas pela tinta antiga, persistiram em meu olhar a dançar uma serenata, recordando-me o afável aroma da paciência.
Todos os poemas foram pescados no blog da autora: Mãinha me deu lápis envio: poesia.net www.algumapoesia.com.br Carlos Machado, 2007
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